ANSA recebe carta supostamente das Brigadas Vermelhas negando ataque

Fonte Ansa flash 25/05/2012 às 9h
Uma carta assinada supostamente pelas Brigadas Vermelhas, organização de esquerda que foi intensamente atuante nas décadas de 1960 e 1970 na Itália, foi enviada à sede da agência de notícias ANSA da cidade de Ancona, negando o envolvimento do grupo com o atentado ocorrido em Brindisi no último fim de semana.

No documento, assinado pela brigada Gino Liverani ´Diegò´, afirma-se que "os nossos alvos certamente não são os estudantes e trabalhadores", mas sim "patrões, elites, banqueiros prostitutas do Estado".

"Apesar da tentativa astuciosa quanto enganosa de transferir responsabilidades inexistentes sobre aqueles que conduzem a luta contra o capitalismo e os poderes, defendidos por este governo fascista liderado pelo [premier Mario] Monti, com a cumplicidade do [presidente Giorgio] Napolitano, por ocasião do atentado em Brindisi, os guardiões fiéis dos interesses dos patrões, que ditam as leis, continuam seu trabalho de desinformação!", acusou o grupo na carta.

Segundo a brigada, "são completamente outros os objetivos dos combatentes! Patrões, elites, banqueiros prostitutas do Estado!! Em seus escritórios, funcionários fiéis cães de guarda, tiranos dos trabalhadores. Certamente não são os estudantes ou os trabalhadores os nossos alvos!!".

"Vocês que viveram e vivem explorando e pisoteando, agora é a hora de olhar para trás! Retomamos a luta", anuncia o grupo na carta, escrita em letra de forma, com as margens comidas pela copiadora.

O documento continua: "Cientes do momento histórico, a queda de muros e ideologias, e junto com elas, como prevíamos, do capitalismo, o imperialismo após um sobressalto natural de onipotência, produziu o caos social que estamos vivendo. Os novos e velhos patrões se aproveitaram da fraqueza ideológica da massa para explorar e anular direitos conquistados com grande esforço pelos trabalhadores. Que sirva de lição".
A carta traz o logotipo da estrela de cinco pontas, marca registrada das Brigadas Vermelhas, e cita o nome de uma suposta brigada relacionada à memória do brigadista da coluna Tommaso Gino Liverani, morto em Manágua, na Nicarágua, em 1985.

A polícia está investigando para determinar a confiabilidade da carta, enviada ontem pelos Correios de Ancona, mas o setor da inteligência indicou ter muitas dúvidas sobre sua confiabilidade.

Outra carta, com a sigla "BR", posterior a esta enviada à ANSA, foi interceptada e bloqueada no centro de triagem dos Correios da capital da região de Marche.

As primeiras informações indicam que ela também continha o logo da estrela de cinco pontas, mas, neste caso, o texto era sucinto e escrito de forma quase elementar, e não anuncia novas ações. O envelope, sem remetente, foi bloqueado antes de chegar ao destinatário, que era o "Diretor do Banco de Marche-Ancona".

A Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais (Digos) também investiga este caso, mas os investigadores acreditam tratar-se de um gesto compulsivo ou de alguém interessado em criar confusão e alarme em um momento difícil na vida do país.
Ansa flash
Fonte Ansa flash 25/05/2012 ás 9h

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