Anatomia de um golpe

Fonte Note! Assessoria de Comunicação 08/05/2013 às 16h

*Mauro Calil

Seja pela minha caixa postal, Twitter ou Facebook, recebo diariamente consultas sobre diversos temas financeiros. Um tema em especial, de um novo golpe financeiro, chamou a minha atenção nos últimos meses, pois tem aumentado. E tenho recebido essas mensagens de diversas partes do país e com características muito próximas, por vezes até idênticas.

Funciona assim: alguém próximo à potencial vítima comenta sobre os maravilhosos investimentos que está fazendo com um grupo de empresários da cidade. Empresta dinheiro a juros para a elite, que remunera 4% ao mês e paga certinho. Todos os meses, o investidor sabe o quanto possui. Não há risco, afinal, são pessoas que possuem reconhecida reputação e alto patrimônio.

A vítima se interessa e pergunta sobre as garantias. Sempre ouve dois tipos de respostas, primeiro que o negócio tem contrato registrado em cartório e, inclusive, chega a ver o documento, com as firmas reconhecidas e os carimbos de cartório. “Não há erro”, pensa a vítima.

A segunda resposta é de que essas pessoas, consideradas influentes, não aceitam emprestar dinheiro para qualquer um. É preciso uma indicação e uma entrevista com um representante do grupo para checar se você entende e tem condições de participar deste seleto grupo que, afinal, não é para qualquer um.

A aura de sedução em fazer negócios e obter o lucro é grande, assim, a vítima começa a insistir com seu amigo para que este sugira seu nome para a entrevista. Após algumas semanas, a vítima é entrevistada e entrega R$ 20 mil, R$ 50 mil, assina um contrato que tem registro em cartório e já faz planos do que irá comprar quando sacar o dinheiro.

Esse golpe possui algumas características comuns a todos os golpes, primeiro precisa de uma promessa de ganho fácil e elevado que valha e turve a visão dos riscos, neste caso, juros de 4% ao mês vindo dos bolsos da elite da cidade. Segundo, precisa ter características de garantia, por exemplo, um contrato registrado em cartório e com firma reconhecida de um devedor muito rico. O terceiro elemento é o aliciador e o quarto, uma vítima gananciosa.

Mas, neste caso, onde está o golpe afinal? Vamos dissecá-lo:

Todo conto do vigário reside no fato de que a vítima é gananciosa e se acha muito mais esperta que o vigarista, por isso é chamado de “otário” pelo golpista. O contrato registrado e com firma reconhecida, assinatura esta que pode ser de um homônimo e não do próprio empresário, nada mais é do que uma prova inconteste que a vítima é um agiota, ou seja, um criminoso perante as leis brasileiras(Lei nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951, Art. 4º, Letra a). No Brasil, emprestar dinheiro a juros é crime e, portanto, a vítima nunca poderá reclamar seu dinheiro a menos que queira se explicar ao Ministério Público.

A única alternativa, já arquitetada pelo golpista, será trazer outro “investidor” para receber uma parcela do que for investido pela próxima vítima, ou seja, formar uma pirâmide financeira, o que é outra ilegalidade.

Todos sabem que não existe uma receita mágica para ganhar bons lucros. Sendo assim, aqueles que desejam prosperar financeiramente devem buscar conhecimento, entender sobre os produtos financeiros e sempre procurar ajuda profissional. Por isso, atenção a qualquer promessa de ganho fácil!

*Mauro Calil é palestrante, educador financeiro, fundador da Academia do Dinheiro, e autor dos livros "Separe uma verba para ser feliz" e "A receita do bolo

Note! Assessoria de Comunicação
Fonte Note! Assessoria de Comunicação 08/05/2013 ás 16h

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