Aladi tenta harmonizar estatística para incrementar comércio e vencer crise econômica

Fonte Agência Brasil 19/11/2009 às 0h
Os 12 representantes dos países que formam a Associação Latina-Americana de Integração (Aladi) discutem em Brasília a harmonização dos critérios estatísticos aplicados na comercialização de produtos, mercadorias e serviços. O objetivo é assegurar a adoção de critérios comuns entre os membros da Aladi para evitar desencontros de dados e distorções de informações. Para os especialistas, um acordo na aplicação dessas medidas contribuirá para o incremento do comércio e a superação de momentos delicados da economia internacional, como recentemente ocorreu em virtude da crise financeira.

“A troca de informações, de dados e experiências contribui para o aperfeiçoamento do sistema como um todo. O esforço é para que futuramente os dados sejam repassados mensalmente e não mais a cada ano como agora”, disse o coordenador-geral do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Paulo Roberto Pavão.

A discussão faz parte da 12ª Reunião Técnica de Órgãos Governamentais Responsáveis pelo Fornecimento de Informações Estatísticas de Comércio Exterior (Recomex), realizada no Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “A partir dessas discussões vamos elaborar um documento com recomendações técnicas para avaliação de cada integrante da Aladi”, afirmou Pavão.

Um dos temas discutidos nos debates é o sistema de Certificação de Origem Digital (COD) que está em fase de projeto no Brasil e consiste em permitir que o documento informe detalhadamente o que se pode conceder de reduções e isenções tarifárias, garantindo o acesso preferencial das mercadorias no mercado externo entre o países que mantêm acordos internacionais de comércio.

“O sistema COD é bastante completo porque pode colaborar no momento das negociações envolvendo preferências e tarifas. Nas discussões, a recepção do sistema foi positiva”, disse o chefe do Departamento de Informação e Estatísticas da Secretaria Geral da Aladi, Roberto França.

Para o coordenador-geral do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior há uma disposição conjunta para o aperfeiçoamento na busca da harmonização de dados o que deve gerar mudanças em breve. Mas ele não cita prazos.

As estatísticas precisas são fundamentais no insumo das negociações comerciais, segundo os especialistas, porque as diferenças de critérios levam às falhas de interpretação e na contabilidade final na balança comercial. A Aladi é integrada por 12 países - Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Mas o Panamá e a Nicarágua estão em processo de negociação para a integração do bloco, sendo que o primeiro se encontra em fase mais adiantada.

Segundo dados oficiais, em 2002 as exportações brasileiras somaram aproximadamente US$ 60 bilhões. Já em 2008, atingiu cerca de US$ 200 bilhões. As diferenças de interpretação e critérios leva a situações, como recentemente ocorreu entre Brasil e México. Em agosto, durante a visita do presidente mexicano, Felipe Calderón, foi constatado que havia uma diferença de US$ 1 bilhão nas estatísticas do fluxo comercial entre os dois países.

Para os mexicanos, o comércio era de US$ 8 bilhões, enquanto os brasileiros informavam que era de US$ 7 bilhões. De acordo com os técnicos, a diferença de US$ 1 bilhão se deve à aplicação de critérios estatísticos divergentes entre mexicanos e brasileiros.

Segundo especialistas, há uma série de objetivos no processo de integração da região latino-americano que envolvem a eliminação gradativa dos obstáculos ao comércio recíproco dos países membros, o estímulo à cooperação e o incremento do desenvolvimento econômico e social da região, entre outros.
Agência Brasil
Fonte Agência Brasil 19/11/2009 ás 0h

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