"A UnB é uma janela de oportunidades aberta", afirma Joaquim Barbosa

Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 05/04/2013 às 21h

Com recorde de público, Aula Magna com presidente do Supremo Tribunal Federal levou 2,3 mil pessoas ao Centro Comunitário da UnB nesta sexta-feira.

As 1,8 mil cadeiras dispostas no Centro Comunitário Athos Bulcão não foram suficientes para receber o público que compareceu para ouvir um dos ex-alunos mais ilustres da Universidade de Brasília. Sob aplausos entusiasmados, o ministro Joaquim Barbosa causou comoção durante Aula Magna de abertura do semestre letivo na UnB na manhã desta sexta-feira (5). "A educação é, sem dúvida, a mais importante prestação de serviço que o cidadão tem direito a exigir do Estado", defendeu o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). "Leiam muito, leiam tudo, leiam a constituição brasileira. Porque assim todos vocês deverão desenvolver um sentimento constitucional", recomendou.

Ao apresentar o convidado especial, o reitor da UnB, Ivan Camargo, fez um rápido resumo da trajetória acadêmica e profissional de Joaquim Barbosa. "Serei breve, porque o ministro dispensa apresentações", disse o reitor. Em seguida, o ministro afirmou que estar ali tinha um "significado sentimental e pessoal enorme". "Sinto imensa gratidão por esta universidade, que representou para mim uma generosa janela de oportunidades aberta: possibilitou meu aperfeiçoamento como pessoa e como profissional no campo que escolhi, o Direito", declarou, posicionado no centro da mesa composta ainda pela vice-reitora, Sônia Báo, e pelo coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE/UnB) Nicolas Powadayko.

Emilia Silberstein/UnB Agência
 

O ministro ingressou no curso de Direito da UnB em 1975 e passou sete anos e meio na universidade. Do período na instituição, Joaquim Barbosa guarda boas lembranças. "Nos bancos da prestigiosa UnB, recebi ensinamentos de professores do mais alto saber, dos quais, algum tempo depois, tive o prazer de ser colega", disse, referindo-se ao ex-ministro do STF José Carlos Moreira. Barbosa ficou com a vaga do ex-professor na corte. "Foram laços de amizade que construí no campus e que, passados 30 anos, permanecem". O ministro ressaltou a presença de um velho amigo dos tempos acadêmicos: o africano Faustino Cunha, que veio de Guiné-Bissau para a UnB em 1977, como bolsista. "Eu não o via há mais de 20 anos, e tive a felicidade de reencontrá-lo esses dias em Brasília. Hoje ele está aqui presente", explicou Barbosa.

O presidente do STF também lembrou a rotina na Biblioteca Central (BCE), onde devorava livros de Direito, Sociologia e História. "Aqui pude satisfazer minha companheira de sempre: a curiosidade intelectual", disse. Envolvido na vida universitária, fez cursos de extensão e assistiu a inúmeras conferências internacionais, com presença de "expoentes do pensamento ocidental". "Os alunos brincavam até que muitos deles, perdoem a expressão, tinham se tornado ´arroz-de-festa´ na UnB", comentou o ministro. "Aproveitei todas as oportunidades que a UnB oferecia, entre elas, a interdisciplinaridade, que viria a ser a marca do meu percurso acadêmico e intelectual".

Emilia Silberstein/UnB Agência
 

Joaquim Barbosa ressaltou a importância do papel da educação em sua trajetória pessoal e profissional. "É por meio dela que adquirimos conhecimento para transformar nossas vidas e a da comunidade em que estamos inseridos. Ela fornece não só os instrumentos necessários para a igualdade material e de oportunidades, mas sinaliza o caminho certo que os jovens deverão trilhar", disse. Para o ministro, a universidade deve ser um ambiente "de total e absoluta liberdade, mas também um ambiente de grande diversidade, tanto nos corpos docente quanto discente", completou.

HOMENAGEM - Após a Aula Magna, o representante do DCE ofereceu uma placa em homenagem ao ministro Joaquim Barbosa. "Quando soube que o senhor havia sido convidado para ministrar esta aula magna, para além da alegria de saber que teríamos a oportunidade de ouvir as palavras de ilustre personalidade, percebi que o palestrante que iria instigar-nos não o faria somente pelas palavras, mas também pelo trabalho e pelas ações de toda uma vida", afirmou o coordenador-geral Nicolas Powadayko.

"É, portanto, por vossos elevados serviços prestados à República, ao Direito e ao povo brasileiro, como prova do poder da educação, da liberdade e do trabalho, o Diretório Central dos Estudantes, gestão Aliança pela Liberdade, orgulhosamente vos concede o título de Estudante Emérito da Universidade de Brasília", concluiu Nicolas.

FELICIANO E INFLUÊNCIA DO JUDICIÁRIO - No momento reservado às perguntas do público, Joaquim Barbosa foi direto ao ser questionado sobre assuntos polêmicos, como a escolha do deputado federal Marco Feliciano para presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e a suposta interferência do poder judiciário nos demais poderes. "Sabia que viria alguma saia-justa", brincou, antes de dar ?uma resposta de quem viveu nesse ambiente de liberdade?.

"O deputado Marco Feliciano foi eleito por seus pares para esse cargo na Câmara. Isso está previsto regimentalmente", explicou. "Mas a sociedade tem todo o direito de se exprimir sobre a presença dele nesse cargo. Isso é democracia", disse, sob uma salva de palmas. Sobre a competência do Poder Judiciário, Joaquim Barbosa foi enfático: "o STF não está preocupado com o que dizem por aí sobre ele usurpar atribuições de outros poderes. O Supremo nada mais faz do que resolver o que é trazido a ele, muitas vezes de maneira urgente e desesperada".

Sobre a questão das cotas raciais, Barbosa lembrou que se dedicou ao assunto em pesquisa realizada nos Estados Unidos, que resultou no livro Ação Afirmativa & Princípio Constitucional da Igualdade. O Direito como Instrumento de Transformação Social. A Experiência dos EUA, lançado em 2001. "Jamais imaginei que passados 12 anos, isso viria a decidir o destino de um número considerável de alunos", disse. "Tive a experiência maravilhosa de participar do julgamento no STF que chancelou esse mecanismo de inclusão na sociedade". O ministro afirmou que não está acompanhando no Legislativo a proposição que prevê cotas para negros no serviço público.

Confira a cobertura da Aula Magna pela UnB TV

Secretaria de Comunicação da UnB
Fonte Secretaria de Comunicação da UnB 05/04/2013 ás 21h

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