A expansão da internet: entenda os desafios do novo formato de protocolo IPv6

Fonte BRSA 15/03/2013 às 16h

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Por Juliano Primavesi*

Em um mundo cada vez mais conectado, a web também deve estar aberta para oferecer um leque cada vez maior de possibilidades para a interação. Mas você já parou para pensar em quantos computadores, tablets e smartphones se conectam a internet todos os dias? Algumas pessoas estão preocupadas com essa questão há certo tempo e por um motivo muito pertinente: os endereços da internet estão se esgotando.

Não é difícil de entender a razão: para que a rede funcione, é preciso que cada equipamento possua um endereço único – essa é a função do IP (Internet Protocol): cada computador tem seu próprio endereço. Atualmente, esse número tem base no IPv4, o protocolo de internet versão 4, que é uma sequência de 32 bits, capaz de gerar 4,3 bilhões de possibilidades para que os dispositivos se conectem à rede.

Considerando que muitas pessoas atualmente têm smartphones, tablets, computadores, smart tvs – que necessitam, cada um, de um endereço de IP - e que os próprios websites precisam estar hospedados em um servidor (portanto, possuem IP próprio) para existir, rapidamente está ocorrendo esgotamento dos destinos de internet criados há mais de 20 anos.

Na Ásia e na Europa os endereços já se esgotaram. Estima-se que a África e a América Latina serão os continentes onde o esgotamento será mais demorado. Surgiu, dessa forma, a necessidade de uma nova maneira de distribuir esses endereços – foi então que o IPv6 foi desenvolvido. Sua criação teve início em 1998, mas atualmente ele vem recebendo importância crescente, dada a proximidade do esgotamento de endereços.

Seu principal diferencial é a quantidade de destinos que ele permite cadastrar: para dar um número exato, são 4 bilhões de endereços por habitante, pois ao invés de combinar 32 bits, como é o caso do Protocolo de Internet 4, o IPv6 combina 128 bits, permitindo assim a existência de um número infinitamente maior de endereços, capaz de solucionar a atual possibilidade de esgotamento de endereços da qual nos vemos cada vez mais próximos.

O principal desafio gerado pelo novo protocolo é a construção de uma rede que contemple o funcionamento dos endereços antigos e dos novos, simultaneamente. A mudança não deve atrapalhar a rotina do usuário – para isso, será necessário um apoio tanto das empresas de telefonia, provedores de internet e de conteúdo, uma vez que os primeiros terão os usuários para acessar sites, e os últimos, terão o conteúdo que será acessado - e ambos devem falar a mesma linguagem e padrão de protocolo.

Sendo assim, na prática, tudo muda na infraestrutura, mas nada muda para o usuário. Para o provedor, serão necessárias mudanças de equipamento caso estes não estejam aptos a receber o novo padrão de endereçamento. É imprescindível que os sistemas estejam adaptados ao novo protocolo, cujo tamanho mudará de 15 para 39 caracteres. Da mesma maneira, os bancos de dados que armazenam endereços de IP deverão ser atualizados para guardar novas informações.

O principal desafio é fazer a transição em conjunto com provedores de acesso e de conteúdo, antes do esgotamento do IPv4 no Brasil, tendo uma rede que converse simultaneamente com a versão antiga e a versão nova do protocolo, buscando ser transparente para o usuário final. Ele perceberá apenas os benefícios, uma vez que com o IPv6 poderá ter seu próprio bloco de endereços para distribuir entre os dispositivos que deseja conectar à web.

Para construir um site já preparado para o novo protocolo, o programador deve verificar se a página armazena dados, como o endereço IP do usuário. Hoje em dia, para maior segurança da informação, alguns sites já têm esta prática, principalmente os de comércio eletrônico. Também é necessário verificar se o tamanho disponibilizado para o armazenamento do endereço de IP contempla a máxima de 39 posições de endereços. Além disso, os sistemas de controle de acesso baseados no protocolo antigo também devem estar calibrados para o novo endereçamento. E, por fim, não se pode esquecer a atualização do firewall, que precisa ser configurado de acordo.

*Juliano Primavesi é CEO da KingHost, terceira maior empresa brasileira de hosting.

Sobre a KingHost (www.kinghost.com.br)

Presente no mercado desde 2005, a KingHost é a terceira maior empresa brasileira de hosting, com mais de 200 mil sites hospedados para cerca de 55 mil clientes. Ao longo de sua trajetória, a empresa implementou várias soluções inéditas no Brasil para hospedagem compartilhada, entre elas destaca-se a ativação do IPv6 para toda a sua base de clientes, protocolo que dará continuidade à Internet.

Sediada em Porto Alegre (RS), com data centers também em Cotia (SP) e Curitiba (PR), a KingHost presta serviços de streaming de áudio e vídeo e hotspots wireless, além de hospedagem compartilhada, planos específicos para desenvolvedores e projetos personalizados na área de soluções corporativas, incluindo cloud computing e servidores dedicados e semidedicados.

BRSA
Fonte BRSA 15/03/2013 ás 16h

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