A dama e o operário

Fonte Petrônio Souza Gonçalves. 19/11/2009 às 0h
Lula fez um PAC para eleger Dilma Rousseff. Com as burras cheias de dinheiro do contribuinte, o caixa um, acreditou asfaltar o caminho para o desfile cívico da recauchutada ministra. Lula apenas se esqueceu, em seu afã de ser o messias, que não dá para recauchutar a história, que não dá para maquiar a memória, que o passado é vivo e ele só diploma os verdadeiros doutores.

Presidente do grande balcão de negócios oficiais, Lula vai encaminhando as licitações das obras do PAC da Dilma para os empreiteiros amigos dos partidos companheiros, garantindo as comissões e os caixas de campanha. Neste caso, o 2. Assim vai se edificando a grande obra do governo Lula, a compra do voto, do apoio, o balcão de negociatas que a política do atraso consagrou. Isso não é asfaltar o caminho para ir além, é pagar pedágio para seguir o caminho já asfaltado por outros. É o cabresto que Lula tentou colocar no indômito PMDB, tentando puxar pela guia todo o partido, e o levar para o velho caminho da República, com banquetes servidos com café e leite.

Nada é mais atrasado no Brasil que essa política da compra, do aluguel barato, da domesticação por meio de cargos e comissões, o mensalão ideológico. Lula se esqueceu que ele chegou ao poder porque fez passeatas, fez greves, colocou a cara a tapa, discursou na praça, nos bares, dentro das igrejas. Lula quer agora impor um nome, um candidato, tudo ao contrário do que sempre fez e pregou. Isso é coisa de ditadura, aquela que ele e dona Dilma um dia repudiaram.

Eleição não é um saque, não é tomar o poder usando as armas do governo, não é escancarar o cofre. É mais. É o debate, a discussão de idéias, de propostas, a prova de conhecimento de causa e, sobretudo, o consenso, a escolha livre, espontânea e natural, o assentimento ao que o novo líder representa e representou. E o que Dilma representa? O que Dilma representará? Até agora, seu novo rosto, é um rosto de passado desfigurado, quase sem história, sem as marcas do tempo...

Calado, o PT segue admoestado o caminho do silêncio, tendo a companheira Dilma à frente da caravana. Quem diria! Sobre todos, o peso de carregar uma dama de ferro, um corpo frio, sem o calor e o clamor do povo, do voto.

Antes, o PT era o partido de vários reis e de apenas um às. No poder, os reis foram caindo, um a um. Caiu o rei de ouros com todas as suas espadas, o de copas, e até o cara de paus. Fechado em copas, o às se viu sozinho, e na falta de um valetizinho sem vergonha, teve mesmo que ficar com uma dama. O grande problema é que a dama é de paus.


Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor.

www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com
Petrônio Souza Gonçalves.
Fonte Petrônio Souza Gonçalves. 19/11/2009 ás 0h

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