2º Seminário Serrano de Economia Criativa apresenta soluções para a região e Estado do Rio

Fonte Approach 24/05/2013 às 19h

 

Com mais de 400 pessoas vindas de diversas regiões do país, o evento debateu questões de crescimento urbano, empreendedorismo e os benefícios de sediar eventos de grande porte, como a Copa do Mundo e Olimpíadas

Com o objetivo de fomentar ideias, o ISEC (Instituto Serrano de Economia Criativa) realizou, nos dias 23 e 24 de maio, o 2º Seminário Serrano de Economia Criativa, no Teatro Municipal de Nova Friburgo. Durante os dois dias de evento, soluções inovadoras de todo o mundo foram apresentadas para diminuir a criminalidade, empreender com poucos recursos, tornar as cidades mais atrativas e valorizar a educação em todo esse processo. Entre os palestrantes, nomes como: Eun Sun Kwon (supervisora de projetos do governo de Seul/ Coreia do Sul), Luiz Bevilacqua (UFRJ), Evert Verhagen (especialista em urbanismo - Holanda), Ladmir Carvalho (Alterdata) e Ana Carla Fonseca Reis (Assessora em Economia Criativa para a ONU).

No evento, o economista Raymundo Ribeiro, presidente do ISEC e idealizador do seminário, falou sobre o poder criativo da região e como os próprios moradores podem melhorar sua cidade.

"Os bancos que existem no Brasil não incentivam pessoas criativas, só projetos. Temos que começar a mudar este processo. A Região Serrana possui dimensões geográficas que favorecem o turismo e geram qualidade de vida aos moradores. De qualquer forma, elas também preocupam, no caso da chuva ou o frio em excesso. A minha sugestão é que no próximo ano, façamos um debate pedindo ideias das pessoas. Podemos criar painéis com engenheiros e arquitetos que vão viabilizar estes projetos criativos. Os brasileiros sempre têm boas ideias", comenta.

Após a catástrofe da Região Serrana em 2010, Raymundo resolveu criar o ISEC para propor novas soluções para a região e com isso desenvolver a economia local.

Design e segurança pública - Rio de Janeiro e Seul, soluções criativas reduzem a criminalidade
Segundo a supervisora de projetos do governo de Seul, o Rio de Janeiro tem muitas semelhanças com Seul. Os becos e morros que cercam a cidade facilitam a criminalidade.

"Minha ideia é usar o design para mudança social. Tenho muito interesse em adaptar meu projeto em alguma favela do Rio de Janeiro ou de qualquer outra comunidade do Rio de Janeiro. O projeto UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) me encanta bastante e gostaria de conhecê-lo pessoalmente. Na Coreia, através do design, reduzimos a criminalidade a zero, em algumas localidades. A população nos ajudou muito neste processo. Acredito que, no Rio, podemos encontrar dificuldade em encontrar apoio dos moradores, pois muitos desses territórios são dominados pelo tráfico. Durante este período, instalamos alarmes em postes, as casas foram pintadas de cores vibrantes e melhoramos a iluminação. Já foi provado que 95% dos crimes acontecem nas ruas. Sendo 52% depois que escurece", comenta Eun.

Copa do Mundo e Jogos Olímpicos - Economia e criatividade a favor da cidade sede

A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, eventos que acontecerão no Rio de Janeiro nos próximos anos, foram apontados como grandes fatores para o crescimento da economia.

"Após os Jogos Olímpicos de 1988, tivemos mais ânimo na economia coreana, e depois de sediarmos uma Copa do Mundo, junto com o Japão, em 2002, podemos melhorar nossa economia e tornar nossa cultura e negócios mais visíveis para outros países", afirmou Eun Sun Kwon.

Evert Verhagen também falou sobre a importância de sediar estas competições.
"Nesses grandes eventos, é importante entender que você cria um presente para a cidade. Em alguns casos, os meses de Olimpíadas foram os melhores para a cidade, economicamente falando. Este é um momento para melhorar a autoestima da cidade."

Avril Joffe também falou sobre a evolução da África do Sul após a Copa do Mundo.

"Todo o país aproveitou economicamente. Vendemos artesanatos, mostramos nossa cultura ao mundo todo, e hoje temos grandes obras que foram criadas para o evento", comenta.
Criatividade para empreender

O capital inicial para criar um nova empresa e a forma de desenvolvê-la também foram temas das palestras. Ladmir Carvalho, fundador da Alterdata, falou sobre a juventude simples e seu perfil sempre empreendedor.

"Meu pai não tinha recursos, mas tinha atitude. Me ‘obrigou’ a estudar inglês e me mostrou que é preciso estar pronto quando a oportunidade aparece. Não tem nada que me irrite mais do que encontrar uma pessoa que não vejo há anos e ela me dizer que eu dei sorte na vida. Não dei sorte, eu busquei e me qualifiquei para ocupar esta posição", ratifica.

"Como eu não pensei nisso antes?" Esta foi a frase mais falada pelo público logo após a palestra da historiadora Priscila Melo, sócia da Rio de Histórias, que leva cariocas, turistas e expatriados de empresas multinacionais para conhecer um pouco mais sobre a história do Rio Janeiro.

Junto com o marido, que também é historiador, Priscila leva os interessados para conhecer bares centenários, americanos para conhecer a casa de Santos Dumont, em Petrópolis e até cariocas, nascidos e criados na cidade, para conhecer um pouco mais da sua história.

"Muitos me falaram no início: ‘mas quem é que vai querer ouvir você falando de história?’ Pelo visto, muitos. Temos diversos finais de semana fechados e já trabalhamos para empresas de grande porte. Ainda existe a máxima de que ‘carioca que é carioca não conhece o Rio’, pelo visto faz sentido", comenta.

Territórios criativos - Inovação para gerar desenvolvimento

Ana Carla Fonseca, assessora de Economia Criativa da ONU, falou sobre um case de Bogotá onde foram colocados mímicos nos sinais para melhorar o trânsito. De forma criativa, o Estado achou que a escolha dos artistas ajudaria a inibir maus motoristas que paravam sobre as faixas. Quando alguém parava em local inadequado, os mímicos tentavam deixar os motoristas inibidos através de brincadeiras. A ideia era fazer que ele pense duas vezes antes de agir conta a lei.

"É importante nos perguntarmos como queremos ser conhecidos. Isto serve para todas as cidades" afirma.

A Região Serrana e a criatividade

Segundo Michelyne Silveira, produtora do evento, o encontro tem como objetivo abrir novos mercados na Região Serrana. Hoje, a região detém cerca de 36 mil empregos, dos mais de 493 mil do Estado do Rio, do setor de bens e serviços criativos. Com base na última pesquisa realizada pela Firjan sobre o assunto, o núcleo criativo fluminense gerou, em 2011, PIB equivalente a R$ 18,6 bilhões, o que corresponde a 4,1% de tudo o que é produzido no Brasil. O país está entre os maiores produtores de criatividade do mundo, atrás apenas de Inglaterra, Espanha, Itália e Holanda.

O evento contou com o patrocínio da Apex Brasil, Sebrae RJ, Firjan e ABPITV, e conta com o apoio da Energisa, Stam, Inter TV, Instituto São Francisco Faria, Grão Café, além das Prefeituras de Petrópolis, Duas Barras, Trajano de Moraes, Macuco, Cordeiro e São Sebastião do Alto.


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Fonte Approach 24/05/2013 ás 19h

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